摘要:Este trabalho tematiza a relação entre a noção de autonomia, tal como pensada pela filosofia moral kantiana, e a função de autovigilância requerida pelo poder disciplinar e agenciada por aquilo que Foucault chamou de dispositivo panóptico. Procuro fazer uma análise acerca das funções deste dispositivo a partir da obra “Vigiar e Punir”, apresentando como uma microfísica do poder é também uma genealogia da alma humana. Esta alma humana será uma instância atravessada pelo campo da veridição (psicologia, psiquiatria, criminologia, pedagogia) na construção de uma identidade, uma responsabilidade e uma vontade – peças chaves para um novo poder de julgar e punir administrar a periculosidade do sujeito infrator. Assim, a questão da verdade do crime (modo de atuação da vontade do criminoso) nos dará pistas acerca de como nesta alma, neste si mesmo, neste sujeito aparecem inscritas, na forma de autonomia, tanto a relação vigia-vigilante como a representação de sua própria liberdade.