摘要:Literatura, questões raciais e educação são três potentes eixos de reflexão para uma equidade na educação brasileira. A lei 10.639/03 discute o ensino da cultura africana e afro-brasileira nas escolas. Para contribuir com esse processo o objetivo do texto é analisar o conto “O Pecado” de Lima Barreto, escrito em 1924, um texto literário que evidencia as violências raciais na construção do que é ser negro no Brasil e os enlaces que essas questões desencadeiam ainda hoje. Traça-se um paralelo entre a vida do autor do ponto de vista profissional e pessoal, com as discussões de sua narrativa vivida que foi transposta para a ficção. Empresta-se de Conceição Evaristo o conceito de “escrevivências” para debater a narrativa negra enquanto potência de discussão social e de mudança coletiva. O conceito de epistemicídio para Sueli Carneiro, endossa a discussão do negro intelectual invalidado no ambiente intelectual e, Renato Noguera, auxilia na compreensão, por meio da epistemologia afroperspectivista, para pensar uma equidade na educação com potência para a libertação humana. Enquanto resultado da análise observa-se que a obra de Lima Barreto apresenta-se ainda hoje como uma crítica social à condição do negro através de uma analogia religiosa presente no conto em análise. A literatura, por sua vez, é um importante instrumento que permite aferir os desafios da negritude em espaços de intelectualidade levando a discutir as disparidades destes. Por fim, considera-se que o negro-autor é também o objeto narrado e ficcionado na sua escrita em que escreve de um local em que a literatura rompe os limites da palavra texto, para pensar a palavra-viva: ainda ouvimos a sua voz e o seu clamor.